

Quando as portas das primeiras duas unidades da Cultura Inglesa Bilingual School (CIBS) se abrirem na cidade de São Paulo* no início do ano letivo de 2027, o foco estará num modelo de bilinguismo integrado e construtivista para crianças da Educação Infantil ao Ensino Fundamental 2.
Fato é que o currículo da nova rede de escolas bilíngues nasce totalmente alinhado às necessidades do mundo contemporâneo: tendo o inglês como meio da aprendizagem para diferentes áreas do conhecimento (como ciências, cidadania digital e artes); incentivando o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, de pensamento crítico; e, ainda, a implementação de uma cultura de proteção e bem-estar baseada em protocolos britânicos.
Contudo, por se tratar de uma escola bilíngue e não internacional, o currículo segue também as especificações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Brasil com atividades que apresentem as riquezas e histórias do país. Nas duas novas unidades, os estudantes têm a opção de cursar o período regular, pela manhã, e complementar, à tarde.
Na Educação Infantil, o inglês fará parte de 80% da carga horária, sendo que nessa etapa o foco estará na exploração do mundo, no estímulo a partir de vivências, experiências sensoriais e no contato com a natureza.
“Partimos da premissa de que a criança aprende com o corpo. Por isso a importância de vivências escolares para conhecer texturas diferentes, cores diferentes, formatos diferentes, cheiros diferentes — tudo isso faz parte de uma primeira exploração do mundo”, instiga Daisy Gava, diretora pedagógica da Cultura Inglesa Bilingual School.
Já para todo o Ensino Fundamental, a proposta pedagógica foca na exploração interdisciplinar, tendo 60% de carga horária em inglês. O objetivo é que os estudantes alcancem o nível B2 de proficiência ao final do 9º ano, mostrando-se capazes de compreender textos e discussões sobre temas concretos e abstratos, comunicar-se com fluência e espontaneidade e utilizar o inglês com autonomia em contextos acadêmicos e cotidianos.
A diretora pedagógica esclarece que a Cultura Inglesa Bilingual School coloca o inglês como uma língua de aprendizagem integrada à rotina da escola. Ou seja, não é apenas ensinar um segundo idioma isoladamente. “A proposta é se expressar em inglês, mas também pensar em inglês, conduzir uma investigação em inglês, argumentar em inglês.
É pensar em inglês e entender a língua como objeto de aprendizagem, mas como meio de aprendizagem também.” Todo esse processo será trabalhado, claro, com intencionalidade pedagógica e reconhecendo os 92 anos de experiência da Cultura Inglesa.
Daisy e equipe visitaram escolas no Reino Unido para agregar conhecimentos e práticas ao currículo escolar da nova rede, como foi o caso da aprendizagem por meio da investigação (inquiry-based learning). Nessa perspectiva, a diretora pedagógica afirma que o papel do professor vai além da transmissão de conteúdos: ele atua como mediador da aprendizagem, criando condições para que cada estudante construa conhecimento, desenvolva autonomia e esteja preparado para lidar com desafios reais.
Outro diferencial da Cultura Inglesa Bilingual School é a adoção dos princípios de well-being (bem-estar) e safeguarding (salvaguarda/proteção infantil), práticas amplamente consolidadas no sistema educacional do Reino Unido e obrigatórias nas escolas britânicas.
Na Cultura Inglesa Bilingual School, esses princípios orientam a construção de um ambiente de proteção integral, bem-estar emocional e segurança, inclusive no ambiente digital. Mais do que protocolos, well-being e safeguarding fazem parte da cultura escolar e permeiam todas as atividades da instituição, orientando decisões, relações e cuidados no dia a dia. Essa abordagem busca prevenir e enfrentar situações como bullying, cyberbullying, discriminação e qualquer outra forma de violência, promovendo um ambiente em que todos os estudantes possam aprender e se desenvolver com segurança.
Tradicionalmente, a alfabetização para o português brasileiro é focada na psicogênese da língua escrita, teoria de Emília Ferreiro e Ana Teberosky. Já o inglês é uma língua que exige o método fônico (phonics). “Por meio de um processo estruturado, vamos respeitar as particularidades de cada língua para que as crianças as desenvolvam simultaneamente e ainda compreendam suas semelhanças e diferenças. A codificação é em duas línguas, mas a aprendizagem conceitual é a mesma.” Mais especificamente na infância, ao se pensar em aprendizagem em outra língua, Daisy acrescenta que a área do cérebro em que as duas linguagens atuam é a mesma, sendo esse o fenômeno relacionado à plasticidade cerebral.
Em toda a trajetória escolar, a equipe da Cultura Inglesa Bilingual School terá um olhar individualizado para aqueles que não alcancem o nível de inglês esperado, bem como dará atenção aos estudantes neurodivergentes.
“Pensamos na diferenciação, mas também na inclusão do aluno. A neurodiversidade envolve, muitas vezes, questões de inflexibilidade cognitiva. Já o bilinguismo promove ou ajuda justamente na flexibilidade cognitiva. A nossa proposta pedagógica não é a da restrição, mas a do reconhecimento das capacidades”, destaca Daisy Gava.
*As primeiras unidades serão abertas na Vila Mariana e Mooca. Até 2030, a expectativa é chegar a seis escolas em operação, com capacidade para atender cerca de 2.400 alunos. O investimento total previsto em obras, tecnologia, treinamentos e projeto pedagógico é de R$ 90 milhões.